A Montanha dos Sete Abutres

Ano
1951
Titulo original
Ace in the Hole
Gênero
Drama, Filme noir
Diretor
Billy Wilder
País
Estados Unidos
Detalhes
111 minutos / p&b / som

Sinopse

Um repórter entediado manipula o resgate de um homem preso em uma montanha ao procurar relíquias, ocasionalmente descoberto por ele, para garantir-lhe dinheiro e publicidade.

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O que outros comentaram...

É o segundo melhor filme dele.....

O que me lembro deste filme na época, e o que ficou marcante de genial do diretor, e que vai além da interpretação dos atores, pq os supera, é que B. Wilder faz uma magistral alegoria, colocando todos os personagens principais e inclusive a sociedade (aqui alegoricamente colocada como verdadeiro personagem principal a partir de uma etapa do filme), coloca todos no "buraco", enterrados:
1- o personagem mineiro, fisicamente no buraco, nem precisa disso explicação, mas sim o que decorre deste fato fisíco, e que passa a ser, em decorrência, a gerar, um fato moral 2- o jornalista, ta no buraco moral, quer subir a qualquer preço, às custas dos outros, subir na profissão e subir para a capital, sair do "buraco" que é a cidadezinha do interior 3 - o xerife, quer ser reeleito e para isso não tem vergonha de usar o caso do mineiro para tentar conseguir subir, tá no buraco tb, 4 - a da "viúva" que deseja até a sua morte para que possa sair daquela cidade e dá em cima do jornalista, que tb dá em cima dela e depois dá uma de certinho e arrependido e enojado, qdo o mineiro morre 5- por fim, também está no buraco, em um grande buraco, o principal, o maior de todos, a sociedade, a massa, o povo, que vai para lá não para ajudar, mas movido pela curiosidade mordaz, pelo desejo do mal, que ele ocorra ou se perpetue, pelo espetáculo, para lucrar, por tudo estar transformado em um grande espetáculo em que a sociedade assim passa a ser o ator principal, e para nos passar uma verdadeira imagem disto, o diretor insere no espetáculo, como analogia, no local onde ocorre a tragédia, um parque de diversões!!! Isto mesmo, logo surge os que irão querer lucrar com a tragédia, não apenas o jornal, xerrife, o jornalista, a mulher "viúva", logo montam barracas de cachorro-quente, vendem tudo e para todos de comida à diversão, e todo tipo de gente vai para lá, ou seja, toda a sociedade representada, e aquele imenso parque, com sua grande roda gigante, transformando tudo em um grande espetáculo, ficando a tragédia apenas no fundo, lá no fundo... do buraco!!!!! Esta é a visão de Wilder, da sociedade desta época, da sua sociedade da década de 50, época do macarthismo, sociedade de classes extremada ideologicamente, em que um grande redemoinho moral empurra para baixo tudo que possa prestar, arrastando para o fundo, o fundo do inferno moral, ou da "peste emocional" como diria o psicólogo Reich. O filme expressva o mal estar de toda uma sociedade, de todos, da hipocrisia social das máscaras, e sendo assim, poucos "cidadaos de bem" gostaram do filme, principalmente, os que perceberam toda a alegoria traçada em sua amplitude pelo mestre Wilder. Este filme tem sua história, assim como outro filme trágico do mesmo diretor "crepusculo dos deuses" este odiado até pelos próprios produtores de hollywwod bem como toda hollywood, pois era o ocaso alegórico do proprio cinema, pq os desmascarava, e nada puderam fazer para impedir Wilder de o fazer, pq ele já estava famoso e tinha uma certa "autonomia de voo". Pois enquanto ele fazia comédia tudo bem, até aceitavam pq ainda fazia rir, e de quebra ainda lhes enchia os bolsos (dos diretores e dos produtores de cinema) de dinheiro, mas quando o filme era uma tragédia, ahhh, aí a coisa ficava complicada, pois não tinha meio-termo ou risinho de canto de boca, não havia escapismos. Por tudo isto, este filme devia estar melhor pontuado, só perdendo para o "crepúsculo dos deuses.”
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